• Quininha Fernandes Pinto

Espiritualidade e fé. O que esperamos para 2021?

Atualizado: 20 de Dez de 2020

Como poderíamos finalizar o ano sem falar de fé? Bem, esse pressuposto em que é tão discutido, realmente move montanhas! Nós da Átame, apesar de tristes pelo momento avassalador para milhares de famílias no Brasil e no mundo, só temos a agradecer a tudo por este ano de tanto aprendizado! Aliás, nós mesmas somos gratas pelas nossas famílias e às outras tantas que estão conosco, estarem fora de perigo. Alimentamos a esperança a cada momento. Respeitamos as crenças, os valores e os caminhos para a busca da paz de cada um. Nos resta a perseverança. Em nenhum momento esmorecemos. Nos levantamos uma a outra, com confiança e respeito. É assim que conduzimos as nossas vidas. Somos três mulheres que acreditam nas pessoas e em Deus. Cada uma de seu jeito, busca praticar a confiança. Hoje, para a virada do ano, trazemos o texto de uma teóloga que respeitamos muito! Quininha Fernandes Pinto é Doutora em Teologia. Com ela aprendemos a cada dia e respeitamos o que tem a dizer. O tema é espiritualidade. Somos gratas pelas pessoas que estão em nossos caminhos para nos fazer mais fortes. Convidamos você a refletir sobre o respeito, a fé e a condução de seus atos. Desejamos que persevere em seus sonhos. Beijos, Kitty, Lu e Ariane.

............................................................. Espiritualidade e Diversidade Fala-se muito hoje em espiritualidade, mas poucos sabem o que esta palavra significa. Espiritualidade é uma forma de viver, é um estilo de vida. Espiritualidade é busca de santidade, de vida de perfeição ou cada vez melhor. É uma experiência ética e moral. Existem várias espiritualidades. No Cristianismo, conhecemos - por exemplo - a espiritualidade franciscana: pessoas que pautam a sua vida pelo estilo de Francisco de Assis, no amor aos pobres e à natureza. A espiritualidade cristã baseia-se na proposta, vida e ensinamentos de Jesus. Os orientais norteiam suas crenças, posturas e ações na filosofia oriental, nos ensinamentos de seus mestres, hoje bastante difundida e conhecida aqui no ocidente, tendo muitos adeptos e seguidores. Numa sociedade plural e culturalmente diversificada como a nossa, encontramos muitas formas de pensar e de agir e isto nem sempre produz amigos. O que é diverso/diferente me amedronta, me assusta, me espanta, questiona-me. Temos medo do diferente... rechaçamos o diverso de mim. É mais fácil! Acolhemos com prazer o "Mesmo" - Emmanuel Lévinas - o que pensa como eu, gosta do que eu gosto, faz o que eu faço, acredita no que eu acredito. O ponto de convergência sou Eu e não o Outro. Em tempos como os que estamos vivendo, a experiência da Alteridade é algo necessário por ser humanizante. Os códigos de convivência me parecem ser polarizantes. Não aceitamos crenças diferentes, raças diferentes, sexualidades diferentes, cor da pele diferentes, espiritualidades diferentes... Achamos o "Mesmo" o certo, o verdadeiro. O "Outro" não-é e está sempre errado. Talvez estejamos perdendo uma belíssima oportunidade de aprendermos com o Outro, com o diferente de mim, com o que acredita no poder dos cristais, das cores, da natureza e dos astros, tanto quanto eu acredito no poder religioso do bem e do amor ensinados por Jesus. "Qual a melhor religião?" - perguntaram um dia ao Dalai Lama. E para espanto de todos, ele respondeu: "Aquela que te faz mais humano!". Qual a espiritualidade mais certa? Mais apropriada? Mais eficaz? Eu não hesitaria em responder, que a "espiritualidade da diversidade" é mais adequada aos nossos tempos, por ser ela garantia de inclusão, de respeito ao diferente, de aprendizagem, de reverência ao Mistério do Outro, de Alteridade. Quininha Fernandes Pinto - teóloga

Na foto, a sombra de um terço nos braços de Cadu, nosso amigo.

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